Abaixo você encontra a descrição dos principais e ecossistemas encontrados na Ilha de Santa Catarina. Suas principais características e distribuição geográfica. São manguezais, restingas, lagoas, rios, etc.

Conheça a Ilha vista de cima:

Ambientes Naturais

Para se iniciar uma abordagem sobre os principais ambientes naturais ou ecossistemas naturais da Ilha, é necessário falarmos sobre as principais formações vegetais que nela ocorrem. Segundo CARUSO (1990) a maioria dos autores enquadra a vegetação da Ilha em duas regiões botânicas, “Vegetação Litorânea” e “Floresta Pluvial da Encosta Atlântica” (ou Floresta Ombrófila Densa). Na primeira estão incluídas a vegetação dos manguezais, a vegetação de praia, a vegetação de duna, a vegetação de restinga e a floresta das planícies quaternárias. São as “formações vegetais edáficas” (mais influenciadas pelas condições do solo e menos pelo clima) que ocorrem basicamente nas planícies da Ilha, nos terrenos arenosos ou nos solos lodosos das desembocaduras dos principais rios, no caso dos manguezais. É bom lembrar que alguns autores costumam incluir estas subdivisões, com exceção dos manguezais e das florestas das planícies quaternárias, em vegetação de restinga.

Dentre as “formações vegetais climáticas” (vegetação mais influenciada pelo clima do que pelo solo) inclui-se na Ilha somente a “Floresta Ombrófila Densa”, a Mata Atlântica. Distribuía-se originalmente por todas as encostas dos morros da Ilha, ocorrendo atualmente, com as características originais apenas em alguns locais, encontrando-se sua maior parte ainda existente em diferentes estágios de regeneração, como veremos melhor adiante (ver mapa em anexo). Segundo CARUSO (1990) o território da Ilha (423 km2) era coberto originalmente pela vegetação em 90% (380,7km2), sendo 74% (313 km2) desta vegetação a Mata Atlântica, 9% (38,1 km2) os manguezais e 7% (29,6 km2) a vegetação de praia, duna e restinga, sendo o restantes ocupado por dunas sem vegetação (4%) e pelas lagoas (6%).

Outros importantes ecossistemas da Ilha são: as suas duas maiores lagoas, Lagoa da Conceição e Lagoa do Peri; os banhados, localizados principalmente nas localidades de Pântano do Sul, Jurerê e Canasvieiras; o estuário marinho formado pelas baías norte e sul e os costões rochosos marinhos, que permitem a fixação de rica fauna, fornecendo também alimento e abrigo para diversas espécies de peixes.

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Floresta Ombrófila Densa

O Bioma Mata Atlântica distribuía-se originalmente do Rio Grande do Norte até o nordeste do Rio Grande do Sul na região de Osório, acompanhando o litoral, numa faixa que podia penetrar o interior numa extensão maior ou menor conforme a localização e principalmente o relevo, acompanhando a cadeia de montanhas que segue a costa brasileira ao longo desta distribuição. Esta cadeia de montanhas permite que os ventos e massas de ar úmido que vêm do Atlântico subam, ao encontrar esta barreira, se condensando e precipitando sobre a região em forma de chuvas (FERRI, 1980).

Segundo KLEIN (1979) a elevada pluviosidade (chuvas) da região é que proporciona a umidade quase idêntica às florestas equatoriais (amazônicas, por exemplo). Isto permite o desenvolvimento de uma floresta tropical mesmo em regiões subtropicais, ou seja, em latitudes mais ao sul do trópico de Capricórnio que atravessa o Brasil na altura de São Paulo. Logo, percebe-se que os nomes desta floresta que apresentam as expressões “pluvial atlântica” ou “pluvial da encosta atlântica”, se referem as características geográficas e climáticas que condicionam sua existência. Neste sentido o nome “Mata Atlântica” define bem e resumidamente esta floresta, assinalando a importância do oceano atlântico na sua formação além de marcar um bom referencial de sua distribuição.

A Mata Atlântica possui muita notoriedade no cenário nacional dos movimentos e iniciativas de conservação. A própria Constituição Brasileira a considera patrimônio nacional, afirmando que sua utilização se dará na forma da lei, “dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais”. Este mesmo tratamento é dado pela Constituição do Estado de Santa Catarina, que a qualifica, juntamente com outros ecossistemas, como “área de interesse ecológico, cuja utilização dependerá de prévia autorização dos órgãos competentes homologada pela Assembléia Legislativa, preservados seus atributos especiais”.

Caminhando pelas trilhas que há na Floresta Ombrófila Densa da Ilha de Santa Catarina você tem uma noção de sua estrutura. Veja os vídeos abaixo sobre as trilhas que ocorrem na Ilha:

Trilha Matadeiro a Lagoinha do Leste

Trilha do Saquinho

Manguezais

 

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Do ponto de vista ecológico os manguezais têm uma maior relação com o ecossistema marinho e toda a sua fauna aquática, desenvolvendo funções vitais de aporte de nutrientes para o sistema marinho e de área de alimentação, reprodução e abrigo de muitas espécies.

Diferentemente da Mata Atlântica, os manguezais não são ecossistema exclusivo do Brasil. As maiores formações de manguezais estão localizadas na Ásia (principalmente Malásia e Índia), na América Atlântica (Brasil e Venezuela) e na África Atlântica (Nigéria e Senegal).

Desde o início da exploração dos ecossistemas da Ilha pelos colonos, os manguezais vêm sendo utilizados como fonte de lenha, seja para os engenhos, as caieiras ou uso doméstico. Além disso algumas de suas espécies de árvores foram exploradas para tingir redes de pesca ou para extrair o tanino usado nos curtumes de couro (CARUSO, 1990). Atualmente os problemas que afetam os manguezais da Ilha estão ligados à nova fase sócio-econômica de Florianópolis, ou seja, todos sofrem com a expansão urbana e seus efeitos. Aterros ilegais de balneários ou de loteamentos de alta ou baixa renda, abertura de canais pelo DNOS (Departamento Nacional de Obras e Saneamento) para drenagem de terrenos adjacentes, esgotos sanitários, aterros de estradas de rodagem e depósitos de lixo (“oficiais” ou não), são problemas compartilhados por todos os manguezais da Ilha em menor ou maior grau. Faremos a seguir um breve relato dos principais problemas da conservação dos respectivos manguezais da Ilha:

 

Manguezal do Ratones

 

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Situado na maior bacia hidrográfica da Ilha, a Bacia do Rio Ratones, este manguezal, além de já ter sido muito afetado pelos problemas de desmatamento assim como os outros manguezais, como já mencionamos, certamente foi o mais atingido por obras de drenagem. Em 1949 o DNOS iniciou obras de drenagem, através de canalizações de cursos de água e construção de comportas para evitar a entrada de água do mar, afim de “recuperar” 6000 ha de terras para a agricultura (DNOS, 1970: 24). Esta obra acabou por diminuir em muito sua área original. Além disso é atualmente atravessado pela rodovia SC-401, que será duplicada, porém diminuindo sua área em apenas 0,03 % (0,3 ha) (AMBIENTAL, 1994). Atualmente sofre com aterros clandestinos na região do Pontal da Daniela e com a pesca indiscriminada, apesar de ser uma estação ecológica.

Manguezal de Saco Grande

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Atualmente vem sofrendo enormemente com os aterros ilegais ao longo da rodovia SC-401, principalmente para a instalação de estabelecimentos de prestação de serviços (comércio, etc.). Toda a extensa área situada a leste da rodovia já foi recentemente aterrada e atualmente o mesmo processo vem ocorrendo a oeste da rodovia, porção em que o manguezal ainda se encontra relativamente bem preservado, pois é a porção em que permaneceu em contato direto com o mar, não sofrendo portanto, o efeito isolador e represador representado pela rodovia. Os esgotos sem nenhum tratamento, provenientes dos bairros do Monte Verde e Saco Grande II, são o principal aspecto preocupante quanto a contaminação de suas águas. Com a duplicação da SC-401 perderá cerca de 0,3 % de sua área (0,3 ha) (AMBIENTAL, 1994).

 

Manguezal do Itacorubi

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Este é o manguezal mais próximo do centro urbano, estando mesmo inserido neste. Por este motivo, além das sucessivas reduções de áreas para dar lugar a Via de Contorno Norte, o atualmente desativado aterro sanitário da cidade e o loteamento Santa Mônica, é certamente o manguezal que mais sofre com a emissão de esgotos não tratados. Recebe os efluentes de esgotos sanitários de toda a populosa região da Bacia do Rio Itacorubi, que drena grandes bairros da cidade como a Trindade, o Pantanal, o Córrego Grande, o Itacorubi e o Santa Mônica. Além desses esgotos sanitários, recebe efluentes tóxicos do tipo industrial (metais pesados e outros), proveniente de laboratórios da Universidade Federal de Santa Catarina, que afirma atualmente não mais efetuar tal emissão, mas que porém, não possui ainda uma solução definitiva para o problema. Apesar de atualmente desativado, o aterro sanitário continua a emitir chorume (líquido viscoso proveniente da decomposição e compactação do lixo) nas águas do manguezal, uma vez que após a desativação do aterro não foram tomadas medidas sanitárias adequadas para coleta e tratamento destes efluentes. Canais de drenagem também são presentes, cortando os meandros de seus canais naturais e alterando seus padrões de circulação. Com a duplicação da rodovia SC-401 este manguezal perderá 0,46 % de sua área (0,8 ha) (AMBIENTAL, 1994).

 

Manguezal do Rio Tavares

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É atualmente o maior manguezal da Ilha. Teve sua área reduzida principalmente pelas obras de implantação da Base Aérea de Florianópolis e do Aeroporto Hercílio Luz, seja através de aterros ou de drenagens artificiais. A rodovia de acesso ao aeroporto que atravessa o manguezal no sentido norte sul próximo a costa, está atualmente em processo de duplicação. Esta, além de representar diminuição da área de manguezal em si própria, representa também um dique de represamento das águas da maré, que atualmente, em virtude disto, adentram ao manguezal somente pelo canal principal. O bairro de Carianos, próximo ao aeroporto, é uma das áreas que foram vastamente aterradas para assentamentos humanos. Em sua porção leste e sul teve sua área reduzida através de desmatamento e drenagem para dar lugar a pastagens. Atualmente seus principais problemas de conservação são as ocupações de baixa renda, nos bairros da Costeira e Rio Tavares. Nestas ocupações ocorre normalmente que após o assentamento de famílias pobres, estas vendem seus lotes geralmente para estabelecimentos comerciais, devido a boa localização para este tipo de serviço.

 

Manguezal da Tapera

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Este manguezal tem sofrido redução de sua área principalmente devido drenagens para formação de pastagens e mais atualmente devido a aterros para construção de moradias. Dentre os manguezais citados é o único que não é uma unidade de conservação, sendo “protegido” apenas pelo Código Florestal e pelo Plano Diretor do Município, tal como os demais também o são.

Os manguezais possuem vários dispositivos legais de preservação, a nível federal estão incluídos no artigo 2 do Código Florestal e no Decreto Federal 750/1993 de tombamento da Mata Atlântica, como ecossistema associado. No âmbito municipal todos os manguezais são considerados APPs (Áreas de Preservação Permanente) de acordo com o Plano Diretor do Município de Florianópolis. Além disso quase todos estão incluídos em unidades de conservação, tais como: Ratones e Saco Grande (Estação Ecológica dos Carijós/IBAMA), Itacorubi (sob jurisdição da UFSC como área de conservação) e Rio Tavares (Reserva Extrativista Marinha do Pirajubaé/IBAMA).


Restingas

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Restinga é uma palavra muito usada na literatura brasileira, sobre ambientes costeiros, tanto para designar um tipo de vegetação costeira, como para referir-se à áreas de depósito arenoso de origem marinha. O duplo uso da palavra, ou seja, num sentido ecológico e/ou botânico e num sentido geomorfológico, deve-se exatamente a estreita relação que esta vegetação tem com o solo em que ocorre. Por vezes, a vegetação de restinga é definida simplesmente como a vegetação que ocupa este tipo de solo. Como já dissemos anteriormente, trata-se de uma vegetação edáfica (mais condicionada pelas condições do solo do que pelo clima).

A vegetação de restinga ocorre quase que exclusivamente nas planícies costeiras, que são unidades geomorfológicas formadas por sedimentos marinhos (areia) ao longo da costa.

As restingas são caracterizadas, em geral, por superfícies baixas e levemente onduladas, com suaves declives rumo ao mar (SUGUIO & MARTIN, 1990). Os ecossistemas de restingas são caracterizados por solos pobres em argila e matéria orgânica (LACERDA, 1984 apud ARAÚJO, 1987).

As principais restingas da Ilha são as de: Naufragados, Pântano do Sul, Lagoinha do Leste, Armação, Morro das Pedras, Rio Tavares e Campeche, Joaquina, Praia Mole, Rio Vermelho, Santinho e Ingleses, Ponta das Canas, Canasvieiras, Jurerê e Daniela. Todas apresentam problemas de preservação, em diferentes níveis de gravidade, relacionados com processos de ocupação, legal ou ilegal.

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Os dispositivos legais de proteção das restingas vão desde o Decreto 750/1993 da Mata Atlântica que também regulamenta a exploração e a supressão da vegetação das restingas, até atos de tombamento a nível municipal. As unidades de conservação que também protegem áreas de restinga são: Parque Estadual do Rio Vermelho, Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, Parque Municipal da Lagoa do Peri e Parque Municipal da Lagoinha do Leste. As áreas protegidas por atos de tombamentos municipais são : restingas da Ponta das Canas e da Ponta do Sambaqui, dunas de Ingleses e Santinho (fixas e semi-fixas), Lagoa da Conceição (móveis, fixas e semi-fixas), Armação (dunas fixas) e Campeche. Além destes dispositivos, o Plano Diretor dos Balneáreos de Florianópolis considera as dunas fixas, semi-fixas e móveis, como APPs (Áreas de Preservação Permanente).

O Sistema Estuarino (As Baías Norte e Sul)

 

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O sistema estuarino da Ilha de Santa Catarina pode ser entendido como as Baías Norte e Sul, situadas entre a Ilha e o continente, com os ecossistemas associados, ou seja, principalmente os rios que nelas desaguam e os manguezais situados em suas orlas, tanto na Ilha como no continente. Na Ilha, as principais contribuições de água doce para as baías provem dos rios Ratones, e Itacorubí, na porção norte e o Rio Tavares na porção sul. No continente os principais rios são os rios Biguaçú, na Baía Norte, e Cubatão na Baía Sul. Além dos manguezais da Ilha já mencionados anteriormente, também fazem parte deste complexo estuarino, os manguezais do continente (Manguezal da Palhoça, do Aririú-Cubatão e do Massiambu), que se encontram na Baía Sul.

As duas baías são ligadas por um estreito canal na porção média da Ilha, com 550 metros de largura e 21 metros de profundidade, formando o que também se denomina Baía de Florianópolis, que possui 430 km2 de área (a Ilha tem 425 km2), 50 km de comprimento e 3,2 metros de profundidade média. Esta região estuarina se comunica com o Oceano Atlântico, ao por um canal de 31 metros de profundidade e ao norte por outro canal mais largo que o primeiro e com 10 metros de profundidade (ver CARUSO, 1990; LAURENTI, 1992 apud IBAM, 1994). As correntes de maré seguem tanto o sentido norte quanto sul, se encontrando defronte da área central da cidade de Florianópolis, possuindo uma velocidade entre 0,26 m/s e 0,75 m/s (DNH, 1968 apud IBAM, 1994).

Historicamente a Baía de Florianópolis destaca-se pela grande produção de pescado e pela coleta de moluscos (especialmente berbigão e ostras), realizada principalmente pelas populações de baixa renda. Aliás esta atividade parece já ter sido extremamente importante para a alimentação de populações pré-coloniais, segundo o que nos revela os estudos arqueológicos (ver FOSSARI, no prelo). Hoje, esta atividade vem sendo cada vez mais prejudicada pela poluição das águas da baía, pricipalmente por esgotos sanitários, privando a população do livre uso de um importante recurso natural. Segundo suas características, a Baía de Florianópolis, possui grande potencial para o desenvolvimento da maricultura, principalmente de moluscos, porém este potencial é limitado exatamente pela poluição orgânica de sua grande parte. No sentido de incentivar esta atividade, foi criada em 1992, por decreto Federal, a “Reserva Extrativista Marinha do Pirajubaé”, que abrange o manguezal do Rio Tavares (com 740 ha) e o “Baxio das Tapitingas” (com 704 ha), que consiste num banco de areia e lodo à baixa profundidade, onde desenvolvem-se abundantemente moluscos e crustáceos.

Outro aspecto certamente prejudicado pela poluição das águas da Baía de Florianópolis, notadamente nas áreas próximas a área central da Cidade, foi o lazer. Devido a atual falta de balneabilidade dos mais antigos e tradicionais balneários da região central da baía, tanto na Ilha como no continente, a população não tem outra opção, a não ser lotar os ônibus e se deslocar às vezes entre 80 e 90 quilômetros (considerando ida e volta), para poder encontrar águas limpas nas “praias de mar grosso”, no sul, leste e norte da Ilha.

As Lagoas

 

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As principais lagoas da Ilha se originaram do represamento de corpos d´água por cordões arenosos de restingas na sua costa leste, portanto, tanto a Lagoa do Peri como a Lagoa da Conceição, caracterizam-se por possuir em suas feições, uma região montanhosa nas margens oeste, sul e norte, e uma longa faixa de restinga na margem leste, onde se encontra a ligação com o mar. A “lagoinha do Leste” também apresenta as mesmas características.

LAGOA DO PERI:

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A Lagoa do Peri, situada no sul da Ilha, está inserida numa bacia hidrográfica de 20,3 km2, sendo 5,2 km2 a área da própria lagoa. A profundidade máxima é de 11 metros, suas águas não são afetadas pelas oscilações da maré, pois está cerca de 3 metros acima do nível do mar (IPUF, 1978). Assim, sua água é totalmente doce, fornecendo o maior habitat da Ilha para espécies de água doce, uma vez que aí estes ambientes não são muito abundantes. É ainda um importante habitat das lontras (Lutra longicaudis) na Ilha (ver CARVALHO, 1990; OLIMPIO, 1992; SOLDATELI, 1994). Atualmente está compreendida no Parque Municipal da Lagoa do Peri, onde sua área destinada ao lazer é muito procurada, principalmente na alta temporada.

O canal sangradouro que deságua suas águas no mar, na altura da praia da Armação, foi desastrosamente retificado em 1975 pelo DNOS (Departamente Nacional de Obras e Saneamento), retilinizado na maior parte de sua extensão, para drenar os terrenos da região da restinga. Com a eliminação da maior parte dos meandros originais, a velocidade de escoamento das águas da lagoa foi tal, que seu nível baixou consideravelmente. O que obrigou o citado órgão a bloquear a entrada da água junta à lagoa no canal recém aberto, para impedir o agravamento do problema. Desde de então, iniciativas isoladas e sem estudos adequados, vem sendo tomadas para recuperar o nível original da água.

A lagoa do Perí destaca-se por ser o maior manancial de água potável da Ilha, portanto, sua utilização para o abastecimento apresenta-se naturalmente. O aproveitamento para abastecer a região sul e leste da Ilha vem sendo cogitado desde o início dos anos 80. Atualmente vem se pretendendo construir uma barragem em seu canal, para estabilizar o nível d´água e efetuar a captação. Esta iniciativa, levada a cabo por projeto da CASAN (Compahia de Águas e Saneamento de SC) já foi embargada pela Prefeitura municipal em 1988. Na ocasião, em discussões com representantes da Universidade Federal de Santa Catarina e CASAN, uma proposta alternativa de recuperação dos meandros originais do canal, como forma de elevar o nível da lagoa para efetuar a captação, eliminando porém, o projeto da barragem, não foi analisada até hoje. Esta proposta tinha como objetivo garantir o gradiente de salinidade ao longo do canal, para propiciar as condições originais fundamentais para o fluxo de organismos entre a lagoa e o mar, uma vez que escadas de peixes em barragens podem não garantir o livre fluxo para todas as espécies, podendo serem seletivas. Além do que, esta proposta, se viável, pode baixar os custos, pois elimina a necessidade da barragem, restando apenas os gastos com a estação captadora e recuperação do canal sangradouro.

Conheça o Parque Municipal da Lagoa do Peri:

LAGOA DA CONCEIÇÃO

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A Lagoa da Conceição possui uma área de cerca de 17,6 km2, se estende de norte a sul ao longo de 15 km, tem uma largura variável entre 0,7 e 2,5 km, profundidade média de 2,8 metros e máxima de 8,7 metros (PORTO-FILHO, 1993 apud HOSTIM-SILVA, 1994). Comunica-se com o mar através de um canal natural e meândrico, com 2 km de extensão e largura aproximada de 40 metros. Devido ao seu comprimento, este canal reduz o efeito das marés no interior da Lagoa. O fluxo no canal foi garantido em 1982, com sua retilinização, dragagem e com a construção de molhes na sua desembocadura no mar. Antes destas retificações era natural que a barra do canal fechasse por períodos indefinidos, devido a deposição de areia pelo mar. As retificações foram feitas principalmente pelos pescadores, que via sua atividade prejudicada, pela impossibilidade saírem da lagoa com suas embarcações. Estas alterações certamente causaram modificações na lagoa que ainda não foram suficiente avaliadas, até porque continuam se processando.

Esta lagoa sempre foi tradicionalmente conhecida pela fartura na produção de pescado e principalmente de camarão. Atualmente a atividade pesqueira diminuiu muito e o lançamento clandestino (normalmente durante as noites) de esgoto de fossas sépticas, principalmente de restaurantes em sua orla tem sido um problema freqüentemente ainda não solucionado com a instalação da rede de esgoto.

Vista aérea da Lagoa da Conceição, com detalhes da Floresta Ombrófila Densa que recobre os morros ao redor da lagoa. Ao fundo é possível ver as Dunas da Joaquina e a restinga que cresce sobre ela:

A Lagoa da conceição também é, assim como a Lagoa do Peri, uma importante área de ocorrência das lontras (ver SOLDATELI, 1994).

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